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Casa da Cultura

Casa da Cultura inaugura exposições que fazem releituras de tradições de Paraty

Publicada em: 15 de dezembro de 2016

Nesta quinta-feira, dia 15, a Casa da Cultura inaugura quatro exposições que resgatam, documentam e renovam a história e os personagens de Paraty.

Em “Oratórios: a religiosidade e a modernidade”, o paratiense Emanuel Gama faz uma releitura dos oratórios, mantendo suas funções originais e enfeitando seu interior com elementos decorativos os mais diversos e modernos. São oratórios saídos de sua imaginação, cheio de novidades que acrescentam a eles novas belezas e funcionalidades.

A inspiração vem da tradição de que em Paraty todas as moradias tinham seu oratório, com seus santos protetores, em lugar de destaque – seja na sala sobre um console ou em pequenas alcovas, chamadas de “Quarto do Santo”. Conforme o poder financeiro de seu proprietário, eles eram de madeira nobre, com interior e portas ricamente pintadas e douradas, ou simples e rústicos. Diante dele faziam suas orações em família ou sozinhos. Ainda hoje em Paraty permanece essa tradição.

No Salão Nobre, a exposição “Marcenaria” trata da arte de trabalhar a madeira. Assim surgem as estátuas de divindades, santos e heróis e a talha em madeira dos palácios, igrejas e mansões. Trazida pelos portugueses, a carpintaria e marcenaria se desenvolveram e adquiriram novas formas no Brasil. Em Paraty estas artes, transmitidas por antigos artífices às novas gerações, permanece viva, seja nas construções, seja no mobiliário doméstico ou na construção naval, a se perpetuar em novas formas e usos. Marceneiros a criam a partir da madeira bruta e de qualidade, como a Maracatiara, o Jacarandá, a canela preta e parda, o Gonçalo Alves, o Araribá, o louro e o cedro, entre outras.

A exposição apresenta os móveis confeccionados pela nova geração – dentre os atuais mestres estão Aberto Manzo, Geraldo Gama, Jerônimo Godoy, José da Chica, Manoel Gama, José Neredio Alves da Cruz e Waldir da Conceição Mello. São herdeiros de uma tradição que registra, em 1882, a oficina de carpinteiro de João Cândido de Barros Miranda e, a partir daí, outros que transmitiram seus conhecimentos e técnicas.

Também no espaço de exposições da Casa da Cultura, abre na quinta-feira a mostra “Dragão – Um homem da Natureza”, de Averaldo Carneiro. Nascido no interior da Bahia, filho de trabalhadores rurais e o mais velho de doze irmãos, Averaldo Carneiro de Araújo demonstrou, desde cedo, grande interesse pelas artes plásticas. Com 10 anos, começou a esculpir na madeira, orientado por seu padrinho. E aos 20, adotou o pseudônimo de Dragão e decidiu se dedicar apenas a sua arte, trabalhando com madeira e começando a esculpir em pedra sabão.
Averaldo costuma dizer que, quando vê uma pedra, nela já enxerga uma escultura. Pois dentro de cada pedra tem escondida uma imagem, pronta para ser revelada. Durante 42 anos de carreira artística transitou por diversos estilos, desde o clássico, até os modernos surrealismo e cubismo e por pedras como mármore, cristal, pedra-ferro, dolomita entre muitas outras.

E no Café Cultural da Casa da Cultura ficará a exposição “Filho Teu”, de Gui Sena. O fotógrafo cresceu à beira do mar, recriando em suas brincadeiras o cotidiano de seus pais. Brincava de remar, pescar e de ser caiçara. Quando adulto, passou a contemplar o valor da simplicidade, guiado pela beleza dos lugares não óbvios e pela poesia do acaso. A exposição “Filho Teu” apresenta fotografias que retratam o espírito brasileiro de viver e brilhar sob as adversidades do cotidiano.

SERVIÇO
Casa da Cultura
Rua Dona Geralda, 177, Centro Histórico, Paraty
Funcionamento: De terça a sábado, das 10h às 22h. Domingo, das 10h às 16h