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Museu do Amanhã

Jovens inovadores são destaque no evento "Viva a Mata", no Museu do Amanhã

Publicada em: 30 de maio de 2016

O Museu do Amanhã foi palco de ideias inovadoras no painel “O que podemos fazer pelo Meio Ambiente do Amanhã?”, na 12º edição do “Viva a Mata”, evento promovido pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O encontro aconteceu na sexta-feira dia 20 de maio e teve como mestre de cerimônias o apresentador Serginho Groisman. O painel, parte das comemorações dos 30 anos da Fundação SOS Mata Atlântica, foi aberto a estudantes e profissionais da área ambiental, que marcaram presença para ouvir sete jovens palestrantes com projetos para um futuro sustentável e consciente. Do interior do Ceará a Criciúma, em Santa Catarina, os participantes mostraram a inovação e os desafios de cada proposta.

No final do painel, jovens  participaram de debate com a plateia. Foto: Capim FIlmes/ SOS Mata Atlântica
No final do painel, jovens participaram de debate com a plateia. Foto: Capim FIlmes/ SOS Mata Atlântica

“A Fundação Roberto Marinho tem a educação em seu DNA e é muito importante essa jornada junto à SOS Mata Atlântica, uma jornada de parceria, de olhar junto para o empreendedorismo de um Brasil que inova”, destacou Georgia Pessoa, gerente de Meio Ambiente da Fundação Roberto Marinho.

Um dos participantes foi o vencedor da última edição do Prêmio Jovem Cientista, Deloan Perini, que mostrou seu projeto de agricultura urbana. O arquiteto criou um projeto para Erechim, no sul do Rio Grande do Sul, em que terrenos vazios da cidade são utilizados para a produção de alimentos orgânicos, com distribuição para a própria cidade e a criação de corredores verdes. A ideia prevê subsídios como o desconto do IPTU para os proprietários que cederem os terrenos e hoje está em fase de discussão com órgãos públicos de Erechim. “A ideia é mobilizar o poder público para que se dê uso a esses terrenos baldios da cidade”, disse.

O baiano Iago Hairon, de 22 anos, é um dos coordenadores da ONG Engajamundo, que trabalha, entre outras causas, para divulgação e enfrentamento das mudanças climáticas. Iago contou que, desde a adolescência, era conhecido na escola e na família como o “doidinho do clima”. Após um grave problema de saúde, teve certeza de que precisava fazer sua parte para mudar o mundo. “Em 2012, meus dois rins pararam. Fiquei 17 minutos sem vida, mas sobrevivi. Depois do que passei, criei uma militância: ser parte das soluções para as mudanças climáticas. No Engajamundo, mostramos aos jovens que eles também fazem parte da solução.”O grupo promove encontros em todo o país e já participou até da Conferência Internacional do Clima da ONU, a COP21.

O paulista Marcelo Rebelo também apresentou um projeto de reocupação do espaço urbano, o Praças. A iniciativa conecta os moradores de determinada região, por uma plataforma online, e os mobiliza para a revitalização de praças e espaços de convivência. “As pessoas não participam das decisões da cidade. Quis criar uma plataforma para que as pessoas pudessem participar e opinar sobre as escolhas daquele espaço público”. Hoje, o aplicativo tem mais de 80 comunidades cadastradas.

Formado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Tom Adnet voltou à escola onde estudou, em São Pedro da Serra, distrito de Friburgo, para implantar o projeto Águas para o Futuro, que engaja os alunos em questões ambientais através da educação, de forma prática e colaborativa. O projeto trabalha em três frentes: laboratório de águas, que acompanha a qualidade dos rios da região; laboratório de geotecnologias, que mapeia rios, estradas e propriedades rurais; e o laboratório de linguagens, que faz a comunicação das informações socioambientais.

A cearense Celina Hissa pensa em sustentabilidade na perspectiva do consumo. Ela trabalha com artesãs na grife de bolsas Catarina Mina, primeira marca com custos abertos do Brasil – em seu site, é exibido quanto a marca gasta com cada etapa da produção, desde o pagamento às artesãs até o frete para entrega. A iniciativa, intitulada #Umconversasincera, estimula a reflexão sobre cadeia produtiva e consumo consciente. “Queríamos propor o consumo como ato de apoio e não simplesmente como ato de compra. É importante que as pessoas se interessem em saber o que acontece por trás da imagem de uma marca”, diz Celina.

Já o catarinense Christian Engelmann, formado em ciência da computação, uniu seu amor pelas pessoas em prol de um mundo melhor. Hoje, ele leva à frente a Reverse, empresa que luta pela causa da sustentabilidade estimulando o descarte de lixo de forma responsável: “O consumo passa por um ciclo enorme e nós queremos mostrar a importância dos atos de cada um, principalmente na separação do lixo próprio”.

A paixão pela natureza tornou Flávia Rêgo presidente da Associação Peixe-Boi, em Alagoas. A associação surgiu após a preocupação nos conflitos em torno da observação dos peixes-boi marinhos em ambiente natural. Há cinco anos, a associação recebe estudantes e professores, trabalhando na educação ambiental para as escolas da região, além de atender turistas do Brasil e do mundo, e transformou a vida da comunidade, voltada para o turismo.

A semana “Viva Mata” ocorreu entre 19 e 22 de maio e apresentou atividades gratuitas abertas ao público em diversos pontos do Rio de Janeiro, com painéis de discussão e ações de mobilização e educação ambiental. É o segundo ano seguido em que a cidade é sede do evento, que combina atrações para o público geral e reuniões técnicas.