Notícias

Iniciativas que apoiamos

Maré recebe mostra "Diálogos ausentes", com foco na produção artística negra no Brasil

Publicada em: 28 de setembro de 2017

Com a proposta de discutir e romper o ciclo de invisibilidade comum à produção artística negra no Brasil, o Itaú Cultural em parceria com o Observatório de Favelas leva ao Rio de Janeiro a itinerância da Mostra Diálogos Ausentes, realizada na sede do instituto, em São Paulo, em dezembro do ano passado. Com curadoria de Rosana Paulino e Diane Lima, e projeto expográfico de Henrique Idoeta, gerente do Núcleo de Produção do Itaú Cultural, a exposição abre ao público no dia 30 de setembro (sábado), às 16h, no Galpão Bela Maré, e apresenta obras de 17 artistas negros brasileiros das artes visuais, cênicas e do audiovisual, entre individuais e coletivos.

A linha curatorial deriva de uma série de encontros com o mesmo nome realizados durante 2016 e 2017 no instituto, com o objetivo de analisar e dialogar entre público, artistas e especialistas a representação dos negros nos diversos segmentos artísticos e expressões culturais. O resultado exibido na mostra materializa a conexão destas três linguagens, tratando das questões raciais por meio de posicionamentos artísticos traduzidos em variados formatos.

Aline Motta, Yasmin Thayná, Dalton Paula, Gessica Justino, Eneida Sanches, André Novais e os grupos Coletivo Negras Autoras e Capulanas Cia. de Arte Negra são alguns dos artistas com obras expostas na mostra. A instalação composta de gravuras em metal, Transe Iluminado, de Eneida Sanches, aborda o conceito de transe como um fenômeno que, de caráter tanto religioso quanto social, auxilia a representação coletiva da cultura negra da Bahia.

O artista visual Dalton Paula é autor do registro da performance Unguento, uma intervenção realizada em 2015 na cidade de Lençóis, na Bahia, durante a mostra Osso Latino-americana de Performances Urbanas. Ainda entre as obras audiovisuais, há as exibições de curtas-metragens como Kbela, de Yasmin Thayná, Quintal, de André Novais, e Cores e Botas, de Juliana Vicente. As artes cênicas aparecem nas fotografias e vídeos, como é o caso de Exu – A Boca do Universo, espetáculo dirigido por Fernanda Júlia representado por imagens e elementos do cenário por meio de objetos cênicos.

Só no Rio
A itinerância da Mostra Diálogos Ausentes no Rio de Janeiro conta com obras de três artistas que não integraram a montagem em São Paulo: Eustáquio Neves, Gessica Justino e Heberth Sobral. Fotografias da série Estandarte, de Sobral, trazem uma releitura das obras de Jean- Baptiste Debret sobre os costumes de africanos escravizados no Rio de Janeiro utilizando peças de brinquedos. Do fotógrafo e videoartista Eustáquio Neves é apresentada a série A Boa Aparência, que pesquisa, a partir de textos periódicos e classificados de oferta de empregos, o hábito cotidiano de se julgar os negros pela aparência.

A produtora criativa Gessica Justino tem como inspiração para o seu trabalho Barbeiragem: desce o pente, corre a trilha os barbeiros e as relações que se desenvolvem nas barbearias. Uma ligação histórica que nos remete a várias conexões – desde os barbeiros sangradores e curandeiros de meados de 1800 aos de favelas e regiões periféricas do Brasil e do mundo na contemporaneidade. A obra consiste em uma instalação com ambiente deste tipo de salão, com cadeiras, espelhos e acessórios, além de fotografias e um curta-metragem relacionado ao tema. No dia da abertura da exposição, durante três horas, acontece uma ativação deste espaço, e profissionais estarão disponíveis para cortar os cabelos de quem se interessar.

A Mostra Diálogos Ausentes é um convite a conhecer a riqueza da produção de artistas negros contemporâneos no Brasil, ao trazer manifestações das formas de fazer, conceitos e novas visualidades que constituem a produção artística da cultura negra atual. Uma arte que manifesta e transforma diálogos ausentes em diálogos presentes. O evento reforça, ainda, a parceria de longa data entre o Observatório de Favelas e o Itaú Cultural, que, recentemente, apoiou reformas no Galpão Bela Maré: climatização e adequação do espaço a normas de segurança. Estimular essas iniciativas é fruto da convicção do instituto de que a cultura é uma das bases para construir a sociedade.

Sobre a série Diálogos Ausentes
Desde abril do ano passado, o Itaú Cultural realiza a série Diálogos Ausentes com o intuito de analisar entre o público, artistas e especialistas a representação dos negros em uma área de expressão diferente, a cada três meses. Em 2016, o primeiro bloco de três encontros discutiu as artes visuais; na sequência, os debates foram sobre as artes cênicas – com foco no teatro – e, por fim, o audiovisual, sobre o olhar do cinema negro. Neste ano, os debates foram sobre o negro na dança, na literatura e na música, encerrando o ciclo de 2017.

A mostra Diálogos Ausentes é uma realização do Observatório de Favelas e do Itaú Cultural, com produção executiva da Automatica, em parceria com as Redes da Maré. A Mostra conta com o apoio do Centro de Artes da Maré, da Fundação Roberto Marinho, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, da Rede Cultura Viva de Pontos de Cultura, da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural e do Ministério da Cultura, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

SERVIÇO
Mostra Diálogos Ausentes
Abertura 30 de setembro (sábado), às 16h
Visitação: 1 de outubro (domingo) a 10 de dezembro (domingo)
Terça-feira a domingo, das 10h às 19h
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 14 anos
Local: Galpão Bela Maré
Rua Bittencourt Sampaio, 169, Maré
Entre as passarelas 9 e 10 da Avenida Brasil
Rio de Janeiro – RJ