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Museu da Língua Portuguesa

Museu da Língua Portuguesa exibe 'Poesia Agora'

Publicada em: 18 de junho de 2015

O Museu da Língua Portuguesa – palco de exposições de nomes consagrados da Literatura, como Clarice Lispector, Machado de Assis e Guimarães Rosa – abre suas portas para receber quase 500 poetas. De autores célebres aos ainda não publicados, eles estarão na exposição “Poesia Agora”, que será inaugurada oficialmente segunda-feira, dia 22, com abertura ao público no dia seguinte.

Jornal Plástico Bolha, na exposição do Museu da Língua Portuguesa

Jornal Plástico Bolha, na exposição do Museu da Língua Portuguesa

“É a primeira vez em que abrimos espaço para autores talentosos e geniais, mas ainda não consagrados. Assim o Museu se aproxima de uma produção poética e literária contemporânea, produzida pelas ruas das cidades, onde a nossa língua evolui e se transforma”, afirma Antonio Carlos Sartini, diretor do Museu da Língua Portuguesa.

Com patrocínio dos Correios, realização da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e do IDBrasil Cultura, Educação e Esporte, que administra o Museu da Língua Portuguesa, “Poesia Agora” tem curadoria do escritor e editor literário Lucas Viriato, coordenação artística de Domingos Guimaraens e Yassu Noguchi, e cenografia assinada por André Cortez.

“É muito significativo que o Museu da Língua Portuguesa abra uma exposição voltada à produção contemporânea. Com sua abordagem que sempre promove novas experiências e vivências aos visitantes, o Museu tem o potencial de cativar o público para a poesia da atualidade, aproximando-o da linguagem e dos novos autores de uma forma única”, afirma o secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Marcelo Mattos Araujo.

Poesia Agora
A ideia da exposição nasceu há aproximadamente três anos. “Foi quando conhecemos o jornal Plástico Bolha, editado pelo Lucas Viriato. Pensamos que seria muito interessante trazer para dentro do Museu essa produção contemporânea e extremamente viva”, conta o diretor do Museu. “Dessa vez, a proposta é uma interatividade menos tecnológica e mais poética, inaugurando, assim, um novo discurso expositivo no Museu”.

Lucas Viriato, curador da mostra, conta que a exposição tem dois focos principais: um é mostrar o que está sendo feito em termos de poesia, quem está produzindo “Poesia Agora”; o outro é instigar o público a elaborar seus versos e entrar nesse mundo.

Interação
A participação do público acontece em diversos momentos, desde a primeira sala, onde estão as Escadas da Poesia. Lá, os poemas estão em lâmpadas, e é a presença do visitante que acende a luz que ilumina os versos.
Na Sala de Leitura/Escrita, o envolvimento evolui para a autoria. 150 livros com diferentes palavras em suas lombadas convidam as pessoas a montarem seus poemas, reordenando esses livros. E a interação aumenta ao abrir esses livros, cada um com quatro poemas e diversas páginas em branco, para os espectadores colocarem seus versos.

Na mesma sala, estão os desafios poéticos. O visitante é convidado a escrever um poema sem utilizar uma das vogais, e pode depositá-lo em uma urna. A equipe de curadoria escolherá os mais criativos, que serão impressos em formato lambe-lambe e colados na parede da Sala Principal da mostra. “A ideia, que casa com o conceito do Museu da Língua, é subverter o conceito de que museu guarda somente coisas antigas e consagradas. O próprio visitante, o novo poeta, pode ter seu poema na exposição”, explica o curador da mostra.

Ainda no espaço principal, estão um palco que receberá apresentação semanais, aos sábados, inclusive com participação do público; cones exibindo conteúdos poéticos em áudio e vídeo (um deles é um megafone à disposição de quem quiser declamar ou se expressar); e a Parede dos destaques, com pranchetas com poemas que precisam ser acesos pelo leitor.

Por fim, o último espaço tem a Sala da poesia de rua, onde, em meio a tijolos, imagens captadas pelas ruas de São Paulo e outras cidades exibem formas diversas de expressão poéticas, como grafites, cartazes, escritas, entre outras. Nesse espaço, o público é convidado a participar mandando sua imagem de poesia das ruas por e-mail.

Poetas e Poesia
“São quase 500 poetas de todo o Brasil, e do exterior, de todos os sexos e idades, espalhados pelas salas e espaços, iluminando mundos, fazendo sentir e pensar”, conta Lucas Viriato.

Para chegar a esse time eclético de poesia, os curadores da exposição pesquisaram, durante mais de três anos, sobre as iniciativas de poesia nos quatro cantos do país e também fora do Brasil. “O critério era que o autor estivesse envolvido com atividades poéticas, seja em movimentos literários, saraus, lançando livros, de São Paulo e Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul e Rondônia, ou mesmo fora daqui”.

Além da exibição dos versos e obras por toda a exposição, desde a entrada do Museu (o visitante recebe um exemplar do Plástico Bolha e encontra os primeiros poemas já no elevador), os autores também ganharão destaque na programação semanal no palco da Sala Principal.

Cenografia
A exposição tem como cores predominantes o preto e o branco, aludindo ao jornal Plástico Bolha. A intenção é focar completamente na poesia, seus autores e na produção de versos pretendida junto com o público.
Para quebrar essa predominância, portais de cor, seguindo a escala CMYK (Ciano, Magenta, Amarelo e Preto), separam as salas. “É um choque de cor, com locução de versos com essas palavras”, conta o cenógrafo André Cortez.

A cenografia traz ainda outros elementos fazendo a junção entre a poesia e os objetos da rua, como o palco de papel na sala principal e as escadas de poesia com luzes.

Museu da Língua Portuguesa
Endereço: Praça da Luz s/n; tel.: (11) 3322-0080
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h (a bilheteria fecha às 17h). Fechado às segundas. Ingressos: R$ 6 e R$ 3 (meia entrada), com entrada gratuita aos sábados.