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Museu do Amanhã

Museu do Amanhã explora possibilidades de construção do futuro

Publicada em: 17 de dezembro de 2015

O Museu do Amanhã, que abre ao público no dia 19, na Praça Mauá, conjuga o rigor da ciência e a linguagem expressiva da arte, tendo a tecnologia como suporte, em ambientes imersivos, instalações audiovisuais e jogos, criados a partir de estudos científicos desenvolvidos por especialistas e instituições do mundo inteiro. Traz à cidade, pela primeira vez, o conceito de museu experiencial, no qual o conteúdo é apresentado de forma sensorial, interativa e conduzido por uma narrativa. “É um espaço de conhecimento que oferece uma reflexão ética sobre o amanhã que queremos, uma visão dos futuros possíveis que podemos construir a partir das nossas escolhas, em uma perspectiva de convivência com o planeta e entre nós mesmos”, define o diretor geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto. Soma-se, assim, a uma trajetória iniciada pela Fundação com o Museu da Língua Portuguesa e o Museu do Futebol, em São Paulo, e seguida pelo Paço do Frevo, em Recife, e pelo Museu de Arte do Rio (MAR), que forma com o Museu do Amanhã um arco cultural que abraça a Praça Mauá.

Os cubos da Matéria e da Vida, na segunda área da eposição principal. Foto Bernard Lessa
Cubos da Vida e da Matéria: segunda área da exposição principal. Fotos Bernard Lessa

O conteúdo é continuamente atualizado, a partir de dados e análises científicas de instituições do mundo todo, e foi elaborado com a participação de um time de mais de 30 consultores brasileiros e internacionais, nomes reconhecidos em diversas áreas do conhecimento. As experiências, por sua vez, foram desenvolvidas por um extenso grupo de artistas e criadores – como as produtoras O2 e Conspiração, o jornalista Marcelo Tas e o artista plástico americano Daniel Wurtzel –, reunidos, assim como os cientistas, a convite da Fundação Roberto Marinho. “O acervo do Museu do Amanhã é imaterial, são possibilidades. Ao contrário de outras instituições, que precisam preservar seu acervo, o do museu deve ser o tempo todo renovado”, explica o curador do museu, o físico e doutor em Cosmologia Luiz Alberto Oliveira.

O museu também tem parceria com algumas das principais instituições da ciência no Brasil e no exterior, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Massachusetts Institute of Techonology (MIT), entre outras.

O Museu do Amanhã explora seis grandes tendências para as próximas cinco décadas: mudanças climáticas; alteração da biodiversidade; crescimento da população e da longevidade; maior integração e diferenciação de culturas; avanço da tecnologia e expansão do conhecimento. “O museu oferece as perguntas, não as respostas. São elas que norteiam a série de experiências, de maneira a construir uma narrativa de exploração e interrogação”, define o curador.

 

Cinco grandes áreas

A exposição principal, com concepção museográfica do designer Ralph Appelbaum e direção de criação de Andres Clerici, se divide em cinco áreas, a partir das cinco perguntas que guiam o museu: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós. Em cada uma das áreas, o público tem acesso a um panorama geral sobre os temas e pode aprofundá-lo em seguida. A visita começa pelo Cosmos, experiência imersiva em um domo de 360°, grande ovo negro em que o público faz uma viagem sensorial pelo universo, desde as galáxias mais distantes até as partículas microscópicas. Na Terra, três cubos de sete metros de largura por sete metros de altura representam as três dimensões da existência: Matéria, Vida e Pensamento. Aqui, o público conhece mais sobre o funcionamento do planeta, a biodiversidade, as relações entre as espécies e o desenvolvimento da cultura e do pensamento humanos.

Os seis totens do Antropoceno, área central do museu
Os seis totens do Antropoceno, área central do museu
 

A parte central do percurso narrativo se dedica a pensar o hoje, suas características e seus sintomas. Totens com mais de 10 metros de altura formam o Antropoceno, com conteúdo audiovisual sobre o impacto das ações do homem no planeta e a aceleração de suas atividades – estudos apontam que a humanidade terá 10 bilhões de pessoas em 2060 e que os próximos 50 anos vão concentrar mais mudanças que os últimos 10 mil anos. Os Amanhãs desdobram-se no museu numa área em forma de “origami”, com três ambientes, que aprofundam as seis tendências principais: o público pode calcular sua pegada ecológica; participar de um jogo colaborativo em que é preciso administrar os recursos do planeta para mantê-lo sustentável; e descobrir, de forma bem-humorada, qual seria seu perfil diante dos avanços tecnológicos e dos desafios que o futuro apresenta.

A área Nós fecha a visitação de forma simbólica, com uma experiência de luz e som em uma escultura em madeira que remete a uma oca. Seu elemento central, um churinga (espécie de amuleto) da cultura aborígene australiana, é a única peça física que compõe a narrativa principal e representa a transmissão de conhecimento através das gerações. Depois desse momento de reflexão, um belvedere se abre sobre a Baía e o público volta ao “hoje” renovado.

 

LAA e Observatório do Amanhã

A experiência expositiva do museu integra-se ainda ao Laboratório de Atividades do Amanhã, espaço de inovação e experimentação que promove atividades ligadas a tecnologia, ciência e arte e faz uma reflexão sobre as atividades produtivas (a primeira exposição será do coletivo dinamarquês Superflex); e ao Observatório do Amanhã, que vai exibir, catalogar e repercutir dados e análises das últimas pesquisas científicas e tecnológicas em temas relacionados ao museu. É do Observatório também a função de atualizar os dados da exposição principal, por meio do sistema Cérebro, que recebe informações e distribui as informações pelo conteúdo exposto. O sistema também faz um mapeamento da relação do museu com os usuários, registrando o percurso dos visitantes e o modo como eles acessam o conteúdo do museu.

O Museu do Amanhã terá ainda auditório com 400 lugares, loja, cafeteria e restaurante. A área dedicada às exposições temporárias será aberta com a instalação audiovisual “Perimetral”, assinada por Vik Muniz, Andrucha Waddington e o escritório de design SuperUber: imagens da implosão do Elevado da Perimetral se combinam a uma cenografia imersiva em uma experiência de grande impacto visual. A exposição seguinte será “Santos Dumont – o grande visionário brasileiro”, que abre no primeiro semestre de 2016. Iniciativa da Fundação Roberto Marinho, com patrocínio exclusivo da BG Brasil e apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a mostra vai ressaltar o caráter inventivo e futurista de Santos Dumont.