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Museu de Arte do Rio

Seminário internacional debate como formar, gerenciar, reinterpretar e usar os acervos dos museus face aos desafios do século 21

Publicada em: 11 de outubro de 2017

Entre 17 e 20 de outubro a cidade do Rio de Janeiro sedia a primeira iniciativa conjunta dos comitês internacionais do Conselho Internacional de Museus (ICOM) dedicados ao desenvolvimento de coleções (COMCOL) e à documentação de acervos (CIDOC). O evento de dois dias, seguido de cinco oficinas especializadas, reunirá 29 profissionais de diversas áreas do Brasil, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Peru e Portugal para debater com o público temas extremamente atuais, como as estratégias digitais dos museus para difusão e proteção de suas obras, as relações cada vez mais complexas e delicadas entre museus e seus públicos e o papel social que essas instituições desempenham junto às comunidades em que estão inseridas.

Os palestrantes,que chegam ao Rio de Janeiro em meio a debates acirrados sobre os museus e seus acervos, censura e divulgação nas redes sociais, são: Alied Ottevange, curadora no Rijksmuseum, e ArjenKok, pesquisador senior na Cultural Heritage Agency / Utrecht University, ambos da Holanda; Chris Woods, diretor do NationalConservation Service, e Hanna Hölling, professora do Department of History of Art / University College London, ambos do Reino Unido; a holandesa Danielle Kuijten, vice-presidente do COMCOL, Imagine IC; Jan Behrendt, curador, chefe de Coleções no Militärhistorisches Museum der Bundeswehr – Flugplatz Berlin-Gatow, e Monika Hagedorn-Saupe, presidente do CIDOC / Institut für Museumsforschung, ambos da Alemanha; Rubén Héctor Buitron Picharde, arqueólogo-conservador no Museo de Sitio Arturo Jiménez Borja-Puruchuco, Peru; e Alexandre Matos, professor afiliado na Universidade do Porto, Portugal.

Entre os brasileiros, estarão Marcelo Mattos Araújo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), Maria Ignez Mantovani, presidente do ICOM Brasil, Paulo Elian, diretor da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz ,Antônio Carlos Pinto Vieira, membro da diretoria do Museu da Maré, Renata Vieira da Motta, assessora da Reitoria da USP para museus e patrimônio,  Andréa Zabrieszach dos Santos, coordenadora de Museologia e Montagem do Museu de Arte do Rio (MAR), Claudia Penha dos Santos, responsável pelo Núcleo de Conservação e Documentação Museológica / Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Clara Gerchman, diretora do Instituto Rubens Gerchman, Claúdia Suely Rodrigues de Carvalho da Fundação Casa de Rui Barbosa e ainda especialistas do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP, Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, e Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico (UPPM) / SEC-SP.

O evento está organizado em duas partes: o seminário (evento principal), que ocorre na Fundação Getúlio Vargas, nos dias 17 e 18 de outubro; e os workshops, que acontecem no Museu de Arte do Rio (MAR), nos dias 19 e 20 de outubro.

Os quatro painéis do seminário trarão as experiências de diferentes tipos de museus – de grande e pequeno porte, públicos e privados – nos temas “Novas estratégias para a difusão, pesquisa e significação de acervos”, “Processos e procedimentos de gestão de acervos”, “Construção e implementação de políticas sustentáveis para formação e manutenção de acervos” e “Desafios para a implantação e manutenção de políticas e planos de preservação de acervos”.

O tom do seminário pode ser percebido, por exemplo, na fala de ArjenKok: “Fazer a diferença para as pessoas e a sociedade foi sempre tema chave dos museus. No entanto, há muito essa missão é encoberta pela ideia de que colecionar e preservar são a principal responsabilidade dessas instituições. A pressão dos cortes orçamentários força os museus a repensar essa premissa. O acervo muda, assim, de ‘fim’ para ‘meio’ na selvagem competição que os museus enfrentam para reter e ganhar o apoio público. Isso não é necessariamente algo ruim. Um novo olhar para o potencial das coleções como recurso para um engajamento novo e mais forte pode ser extremamente benéfico, tanto para os visitantes, quanto para as comunidades e para os museus.”

Os temas das oficinas mesclam assuntos mais técnicos sobre documentação de acervos com propostas de fundo mais dialético e experimental. O programa completo do seminário pode ser acessado em: https://comcol-cidoc2017.eventbrite.com.br/

O Seminário está sendo realizado graças ao apoio da FGV Projetos, Consulado Geral do Reino dos Países Baixos, Fundação Roberto Marinho, Instituto Moreira Salles, Museu de Arte do Rio/Secretaria Municipal de Cultura RJ, Sistemas do Futuro e Fundação Casa de Rui Barbosa.

SOBRE O ICOM
Criado em 1946, o Conselho Internacional de Museus (InternationalCouncilofMuseums) é uma organização não-governamental que mantém relações formais com a UNESCO, executando parte de seu programa para museus e tendo status consultivo no Conselho Econômico e Social da ONU.É uma associação profissional sem fins lucrativos, com sede junto à UNESCO em Paris (França). Seus mais de 30.000 membros, provenientes de 137 países, participam de atividades de 117 Comitês Nacionais e 31 Comitês Internacionais. O COMCOL e o CIDOC são dois desses comitês.