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Dramaturgia da periferia marca a programação da V Feira Literária da Zona Sul

Publicada em: 5 de setembro de 2019

Com o tema “Meu Corpo, Minha Marca No Mundo”, a quinta edição da Feira Literária da Zona Sul (FELIZS) acontece de 8 a 21 de setembro, com o apoio do Museu da Língua Portuguesa. Os curadores da maior feira literária das periferias de São Paulo escolheram a dramaturgia como linguagem oficial – e a escolha tem uma ligação direta com os artistas homenageados.

Entre eles está o escritor e dramaturgo Marco Pezão, curador do Sarau A Plenos Pulmões, que acontece mensalmente na Casa das Rosas, e a escritora e atriz Tula Pilar, uma personagem marcante na história do Sarau do Binho e da produção literária das periferias brasileiras, que faleceu em abril deste ano.
A abertura oficial do evento será realizada no domingo (8) no SESC Campo Limpo, com show da cantora e compositora Renata Rosa e de Geraldo Magela, músico, compositor e fundador do grupo Candearte, de Taboão da Serra.

 

Na segunda-feira (9), a dramaturgia marca presença no encontro poético promovido pelo Sarau do Binho com a apresentação de uma esquete teatral do Grupo Clariô de Teatro. Com uma série de intervenções poéticas, o sarau celebra oficialmente a abertura da FELIZS no espaço de teatro, localizado em Taboão da Serra.
Parte das atividades da FELIZS acontecerá em parceria com o SESC Campo Limpo. Lá, o espaço para a dramaturgia está garantido com rodas de conversa, intervenções de teatro com monólogos e espetáculos de dança, além de oficina de escrita literária.

 

Meu Corpo, Minha Marca No Mundo

Diane Padial, idealizadora da FELIZS destaca que ao completar cinco anos, o evento se torna um marco no calendário cultural da cidade e do território do Campo Limpo. “Produzir uma feira literária com mais de 100 atividades gratuitas e abertas ao público é sem dúvida nenhuma um feito histórico”.

 

Ela enfatiza que o fato da equipe de curadoria e de produção ser composta majoritariamente por mulheres revela a dedicação de pessoas que estão engajadas em fomentar oportunidades de transformação social por meio de encontros entre público e autores. “A nossa equipe possui uma jornada tripla e às vezes quádrupla. Somos mães, professoras, produtoras, pedagogas, artistas, e ainda assim, reservamos um horário todos os dias para nos reunir e organizar a FELIZS e ainda dar conta de outros afazeres.”

 

Segundo Padial, não dá para pensar a programação da FELIZS sem refletir sobre as dinâmicas sociais que impactam a vida destes corpos. “Nós escolhemos esse tema, para provocar encontros e debates que discutam questões de gênero, homofobia, gordofobia, racismo, a partir da vida e obra de cada convidado”, acrescenta.
No encerramento da FELIZS, no dia 21, a Praça do Campo Limpo será transformada em uma grande mostra de arte, com tendas literárias, shows e intervenções artísticas espalhadas por toda a extensão do espaço público. Um dos destaques será o espaço Tula Pilar, que terá uma exposição com livros, fotos e objetos sobre a vida da autora.

 

Literatura infantil e equipamentos públicos de educação

 

Para contemplar a participação de crianças e pré-adolescentes como protagonistas de suas atividades, a FELIZS promove uma série de atividades que contemplam a infância e a literatura, como contação de histórias, intervenções poéticas e espetáculos de teatro em espaços públicos e independentes de educação e cultura, como unidades do CEU, escolas e bibliotecas públicas, e organizações sociais da zona sul de São Paulo.

 

“A leitura é um hábito que ganha ainda mais sabor com elementos de representatividade. Nas periferias, existem várias referências de autores e autoras que, por tratarem de temas, personagens e cenários semelhantes aos vividos pelas crianças, podem despertar nelas o gosto pela leitura e escrita. Por isso, a FELIZS está construindo esse espaço de diálogo, onde elas, as crianças, terão vez e voz para compartilhar suas experiências com o livro entre outras crianças”, explica Juliana da Paz, curadora da programação de literatura infantil.

 

A articulação da FELIZS com espaços públicos e independentes de educação remonta ao seu ano de criação, em 2015. Para Juliana, essa é uma premissa fundamental na organização do evento. “As crianças não só consomem, mas criam também. E elas precisam de espaços para compartilhar essas vivências com os seus pares”.
Confira aqui a programação completa: www.felizs.com.br.

 

Sobre a Feira Literária da Zona Sul (FELIZS)

 

A FELIZS nasce de um desejo de reflexão sobre o movimento cultural que as periferias de São Paulo têm vivido ao longo dos últimos 20 anos. Temos hoje um panorama pulsante de múltiplas linguagens que vêm sendo, em parte, impulsionado pelos saraus nas periferias. Há uma multiplicação de iniciativas e estas reverberam cada dia mais nos mais variados espaços comunitários e culturais.

 

O evento também é uma iniciativa para unir potenciais num único espaço e observar a grandiosidade de propostas que a periferia vem desenvolvendo. Queremos nos ver e fortalecer num processo de sinergia, impulsionando as ações individuais conectadas ao processo coletivo. Dentro dessa lógica, o fazer cotidiano é essencial, mas é saudável um respiro para reflexão: pensar sobre os caminhos, identificar nossa grandeza e nossas dificuldades.